/script> Gabriel Fernandes: Vida Breve

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Vida Breve

 

É bom deixar-se ir, às vezes,
Sem rédeas, sem senões,
Seguir um impulso,
Rir, ousar, errar, ferir-se... Sangrar.
Homens são meninos, só meninos.

Espero-te no meio desta ponte
Que em cruzar relutas
Incerta, bela,
Pois não sabes do céu de outono que refletem
As claras águas que deslizam sob ela.
 
Esperam-te também doces saudades
Dos beijos teus suaves que não tive,
Dos ternos risos teus, dos teus sussurros,
Dos choros e segredos que não soube.
Esperam-te minhas mãos impacientes por tocar-te. 

Espero-te no meio desta ponte
Para que me deixes cheirar os teus cabelos
E possuir-te, assim, inteira em meus pulmões,
E ter-te diluída no meu sangue
Para que faças de meu corpo tua morada. 

Mulheres são meninas, só meninas,
Não frágil flor cativa em algum vaso
Que aqui se deixa,
Que ali se esquece
E que floresce para um único olhar. 

A noite vem
E ainda te espero nesta ponte,
Em meio a este ocaso carmesim,
Sem saber quantos luares hão de refletir ainda
Na lentidão do rio que se esgota sob mim. 

Mas tu não vens...
E a volição em mim sequer recede.
Do menino que sou, tu nada sabes
E a vida é breve.