/script> Gabriel Fernandes: O Parto da Montanha

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Parto da Montanha


Muitas vezes as evidências são claras e eloquentes, mas as pessoas parecem não se dar conta da importância ou da gravidade de fatos fundamentais para sua sobrevivência e que abertamente pululam à sua frente. Talvez pela aceitação preguiçosa ou irrefletida de versões que escamoteiam a verdade; quem sabe, pela introjeção de conclusões, que ferem a lógica, impostas pelos meios de comunicação cuja única preocupação parece ser a própria sobrevivência; certamente, através da estratégia do repisamento insistente e continuado de inverdades e mistificações, leva o indivíduo abdicar de sua racionalidade e de sua condição de ator para mergulhar no universo da indiferença, entregando-se inerme à manipulação alheia.
 Atualmente, a palavra da moda é travessia. Enquanto a mídia parece acreditar, como o governo quer fazer parecer, que travessia refere-se ao período de aperto fiscal, desemprego elevado e fortes restrições econômicas que teremos de atravessar nos próximos anos, os governantes petistas sabem que travessia é, para eles, a passagem de uma economia capitalista de mercado para um regime de economia estatal centralizada, nos moldes da economia soviética do século passado. 
As dores, que ora experimentamos, não são dores inesperadas, extemporâneas ou excepcionais, são as dores ordinárias que acompanham o parto da montanha. Fecundada pelo pensamento socializante das esquerdas, nossa pátria passou a gestar um modelo político que condena os valores e direitos individuais, abomina a economia de mercado e os princípios capitalistas, despreza o mérito, a disciplina, a democracia e os valores tradicionais e morais e acredita que o Estado pode, com mão de ferro, controlar a economia com intempestivas intervenções ad hoc.
A gestação entrou em seu décimo terceiro ano – talvez seja este um sinal cabalístico – e tudo leva a crer que o parto da montanha se aproxima. O Supremo Tribunal Federal parece disposto a atuar como obstetra para garantir que a montanha conceba uma novíssima, doentia e horripilante nação bolivariana.
Nem Deus pode nos ajudar.