/script> Gabriel Fernandes: No Andar de Cima

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

No Andar de Cima

Não raramente assisto, ouço ou leio declarações de gênios da pedagogia discorrendo sobre os problemas da educação no Brasil e desfilando uma série de soluções notadamente inviáveis, ineficazes, maliciosas, ingênuas ou cretinas. Atacam-se os sintomas aparentes como se causas fossem e não se sobe ao andar de cima onde o problema realmente reside.
O Estado de Direito, no sentido formal, isto é, de não concessão pela autoridade de privilégios legais a indivíduos ou grupos determinados, preserva a igualdade perante a lei. Essa igualdade perante a lei conflita e é de fato incompatível com qualquer atividade de governo que vise a uma equidade material ou substantiva intencional entre os diferentes indivíduos, por isso qualquer política consagrada a um ideal de justiça distributiva leva à destruição do Estado de Direito.
Após cem anos de pregação socialista, a ponto de praticamente todos os trinta e cinco partidos registrados no TSE atualmente se autointitularem de Esquerda, grande parte da população brasileira se convenceu de que a função primeira do Estado é aplicar a qualquer custo políticas visando a uma distribuição impositiva de renda, abrindo mão, consequentemente, dos valores do Estado de Direito. Dessa forma, a ideia de um Estado que garanta os direitos individuais, a propriedade privada e oportunidades iguais para todos seus cidadãos foi deslocada para segundo plano ou simplesmente esquecida.
Ao que assistimos na Educação é resultado dessa escolha absurda. Num regime capitalista, coisa que nunca fomos, a escola oferece a todos, indistintamente, a oportunidade de exercer seu direito de escolha, de decidir como deseja viver no futuro. À escola cabe preparar o aluno para o mercado de trabalho, como empregado qualificado, como profissional liberal, como magistrado, como empresário... O que seja. Ao Estado cabe oferecer ensino de qualidade; à família cabe enviar os filhos à escola e cobrar deles desempenho satisfatório.
A ruína do ensino fecha as portas para a ascensão social da maior parte da população e faz parte da cartilha de destruição da sociedade capitalista e de construção de uma nova nos moldes das ditaduras socialistas ou fascistas que infelicitaram e ainda infelicitam parte do Planeta.
A partir do momento em que a população passa a acreditar que o Estado deve prover tudo - saúde, educação, habitação, transporte, lazer etc. - a escola perde completamente seu status, pois o sucesso individual passa a depender não mais da escola, mas da capacidade do indivíduo associar-se a grupos de pressão criados espertamente por incentivo do próprio governo. É a chamada Democracia Direta. Por isso as famílias deixaram de acreditar no valor da escola e a escola perdeu sua função.
A entrega do principal cargo da República a um apedeuto, sem educação formal, sem estrutura moral e ética, transmite para a sociedade a falsa ideia de que não é preciso estudar, não são necessários esforço, dedicação, coragem e determinação para se alcançar o sucesso. Basta contar com a sorte, basta associar-se a grupos de pressão inescrupulosos, aéticos, criminosos para se obter alguma coisa.  A permanência na Presidência de um indivíduo com a estatura moral do ex-metalúrgico, e a sua sucessão por uma mulher com valores e formação semelhantes, é a coroação desse processo de socialização da nação e de destruição inapelável da estrutura de ensino.
O que explica a eleição do operário ignorante e de sua cúmplice disléxica e sem preparo para um cargo de tamanha importância é o fato de o cidadão atual tender a se considerar uma pessoa ética e de valores morais elevados por delegar seus vícios a grupos políticos cada vez maiores, mais numerosos e mais influentes. Agir no interesse de um grupo parece liberar os homens de muitas restrições morais que regem seu comportamento como indivíduo dentro da sociedade.