quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eu Tenho Medo


Eu tenho medo. Nem sob o Regime Militar senti tanto medo; ou melhor, nunca senti medo durante os governos militares. Vivemos, com atraso, a profecia assustadora... O mundo que Orwell previa para 1984.
Eu tenho medo. O Grande Irmão – o Big Brother banalizado pela Rede Globo – nos vigia em todo lugar com seus olhos eletrônicos , frios, ubíquos, devassadores.
Eu tenho medo. Vivemos sob um regime policial. A polícia da consciência nos persegue em toda parte, nos obriga a dobrar a língua, a medir as palavras, a falar uma Novilíngua, a nos submeter à hipocrisia do politicamente correto.
Eu tenho medo. Na época dos homens de farda, eu nada temia; o povo trabalhador – as pessoas de bem – nada temia. Estudei, trabalhei, constituí minha família, fui feliz sem me sentir pressionado em nenhum momento. Hoje a censura e o medo são generalizados.
Eu tenho medo. Somos prisioneiros em nossas mentes. Não podemos manifestar nossas ideias e opiniões, não podemos nos expressar livremente sem nos sentirmos ameaçados por algum tipo de lei claramente manifesta ou sub-reptícia.
Eu tenho medo. Vivemos entre as garras do medo, sob um regime brutal, ditatorial, cerceador das liberdades individuais... E as pessoas não se dão conta disto. As penas aplicadas a crimes de opinião são maiores e mais inflexíveis do que as aplicadas a crimes de sangue, a crimes violentos.
Eu tenho medo. No tempo dos homens de farda, vivemos sob um permanente estado de guerra, latente, circunscrita, suja, mas apenas subversivos, golpistas e terroristas eram intimidados, censurados e perseguidos. Nunca tive medo de me expressar. Nunca me senti cerceado durante meus anos de universidade, apesar da presença ostensiva de militares, muitas vezes até à porta das salas de aula; nunca me senti constrangido a empregar um vocabulário imposto pela vontade imperativa dos homens no poder.
Eu tenho medo. Eu tenho medo... Muito medo.