/script> Gabriel Fernandes: Origem da Família Moderna

terça-feira, 11 de março de 2014

Origem da Família Moderna


Muitas pessoas atacam o Capitalismo como se esse fosse um sistema perverso, diabólico, criado com o fim precípuo de gerar desigualdade, injustiça e pobreza.
Acho que um pouquinho de história pode ajudar alguns críticos a adicionarem ao conhecimento que possuem umas poucas informações que, processadas adequadamente, contribuirão para reflexão com mais propriedade e emissão de opiniões com mais embasamento.
A população mundial levou milhares de anos para atingir seu primeiro bilhão, tendo chegado a esta cifra somente no início do século XIX. O segundo bilhão foi atingido após apenas cem anos, por volta de 1925, o que é notável. É inegável o efeito da Revolução Industrial - iniciada em meados do século XVIII e que levou ao advento do Capitalismo - na ocorrência desse fenômeno produzido por melhora das condições de alimentação, higiene, saúde, habitação e salubridade.
A garantia do direito de propriedade privada; a conquista da liberdade de aquisição de meios de produção por qualquer indivíduo; a introdução de novas tecnologias no campo; a migração das populações rurais para as cidades; a divisão de tarefas; a criação de empregos remunerados - que levou à monetização da economia; a oferta maior de bens, de serviços e de alimentos - que elevou drasticamente o padrão de vida da maior parte da população dos países que passaram por esse processo de transformação; desenharam a face mais visível da nova era.
Em contrapartida, a obtenção de lucro nas operações comerciais possibilitou a acumulação de capital e criou condições para o direcionamento de recursos para pesquisa de novos produtos e métodos de produção. Concomitantemente, parte desse capital foi deslocada para a pesquisa de novos remédios e vacinas e o aprimoramento de procedimentos médicos, uma vez que o crescimento das cidades e a aglomeração de grande número de pessoas levaram a uma maior disseminação de doenças, o que logicamente não interessava à nova classe de empresários: os capitalistas.
O desenvolvimento da medicina, a criação de vacinas e novos remédios, o enriquecimento das dietas alimentares e os investimentos em saneamento básico propiciaram uma redução drástica da mortalidade infantil, das mortes por epidemias, das mortes de parturientes... E conduziram a ganhos significativos de longevidade em curtíssimo prazo. A classe média e a alfabetização em massa são também fenômenos capitalistas.
Embora esses sejam benefícios inegáveis produzidos pelo sistema capitalista, outro aspecto igualmente importante é que o Capitalismo criou condições para a existência de um novo tipo de família, a família nos moldes em que a conhecemos hoje.
O fato de os indivíduos se mudarem para as cidades e passarem a trabalhar por uma remuneração em espécie, fez com que a dependência econômica dos filhos em relação aos pais, bem como o poder paterno sobre os filhos, diminuísse ou acabasse. Com o tempo, a decisão de escolher a pessoa com quem constituir família transferiu-se para os filhos. Contrariamente ao que ocorria havia muitos séculos, em vez de casamento por interesse econômico, passou a existir e prevalecer o casamento por amor. O marido une-se à mulher por amor, e vice-versa. Dessa união afetiva formaram-se as famílias modernas. Além da herança patrimonial, o amor dos pais passou a ser transferido aos filhos, assim como os valores morais e éticos, as tradições familiares, as normas de comportamento, a própria herança cultural...
É esse modelo de família que a militância socialista deseja destruir, através da desvalorização do casamento e das mulheres, da vulgarização do sexo, do desrespeito às tradições, da destruição da cultura, da banalização dos crimes, da abolição da propriedade privada, da ridicularização da fé, da reescrita enganosa da História... Através do patrulhamento ideológico, da prática mitômana de convencimento, da divulgação massiva de promessas irrealizáveis e sonhos inexequíveis, a Esquerda faz suas ideias infiltrarem-se na mente desprevenida do cidadão que, acrítico, passa a dizer-se socialista e a difundir conceitos de que é incapaz de atinar com o significado.
A media cumpre seu papel vil nesse processo de destruição voraz do que a humanidade levou séculos para construir. Projetando-se o ritmo de degradação moral que se observa atualmente, em poucos anos estaremos de volta à barbárie. Então, um caudilho populista, como sói acontecer, se apresentará como salvador da pátria, oferecendo segurança e proteção em troca de nossa total submissão, de nossa rendição incondicional. Trocaremos nossa liberdade pela esperança vã de que o novo ditador irá nos proteger, de que as coisas retomarão seu curso. Assim se formam as ditaduras, sempre ineficazes, corruptas, violentas e genocidas.
O Capitalismo valoriza o indivíduo, sua capacidade de realização; oferece ao cidadão a liberdade de escolher o que deseja ser e fazer. Ao capitalista interessam trabalhadores saudáveis e instruídos para comporem uma força de trabalho capaz de gerar lucros, consumidores bem informados, com expectativas otimistas e renda apropriada, para adquirirem a produção da indústria e os serviços oferecidos pelo mercado. Daí a preocupação em garantir às pessoas igualdade de oportunidades.
Sob um sistema econômico capitalista, a capacidade de se elaborarem projeções, previsões e cenários econômicos é uma condição fundamental para a perpetuação dos negócios, daí a necessidade de existirem instituições políticas estáveis, estrutura legal sólida e justiça imparcial e confiável. Essas exigências levaram naturalmente à constituição de sociedades democráticas. A democracia é a outra face da moeda: nasceu com o Capitalismo, após inúmeras tentativas fracassadas ao longo de muitos séculos.
As pessoas não podem olhar o Brasil e imaginar que o que temos por aqui se assemelha minimamente a uma economia capitalista e a um regime democrático. Adotamos tardiamente o modelo capitalista, num salto vertiginoso da Idade Média para a Idade Moderna: o Brasil foi fundado em 1808. Vivemos em uma economia de “capitalismo estatal”, clientelista, nos moldes dos regimes fascistas que infelicitaram a Europa e hoje, assustado, vejo se mimetizarem em países da América Latrina. Democracia? Uma das características fundamentais da democracia é a distribuição igualitária da justiça, coisa que estamos longe de conseguir por estas bandas.
É impossível desmontar-se o tripé Capitalismo, Democracia e Família, como a entendemos hoje, e ainda subsistir alguma coisa que possa beneficiar a população. Aos pregoeiros dos valores da esquerda interessa a destruição do Capitalismo, daí o ataque feroz às outras pernas desse tripé: a Democracia e a Família. A desmoralização do Congresso e o enfraquecimento do judiciário fazem parte da sublevação intentada pelos partidos ditos de esquerda contra a Democracia.
A última perna, a Família, vê-se enormemente ameaçada. Por que será que a Rede Globo insiste no tema família? “A Grande Família”, “Laços de Família”, “Em Família”... Quer nos convencer de que as obscenidades que exibe refletem os padrões morais, éticos e comportamentais médios e aceitáveis das famílias brasileiras. Grande falácia.
Pense nisso.